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pedrojnunes |

 

 

 

Dizem que nasci em Ibitirama, quando ainda era distrito do Alegre, no sul do Espírito Santo. É o que dizem as pessoas e os documentos. Meu pai, Zé Benedito, é mais preciso: você nasceu em Santa Rita, de onde você nasceu se via o cemitério de um lado e o rio Preto do outro, além já era Minas. Acho que passei os poucos meses seguintes de olhos fechados, pois quando os abri estava em São José do Calçado, que se tornou, querendo ou não, minha terra natal. Nasci num janeiro de 1962, chuvoso.

 

Embora tenha feito os primeiros estudos no Grupo Escolar Manoel Franco, fui alfabetizado por minha mãe, dona Anna, aos seis anos, que resolveu fazer a graça de desasnar o filho mais velho (acho que dei tanto trabalho que ela desistiu com os demais). Desde então não larguei mais os livros. Meus pais, embora não fossem dados à leitura, não negaram apoio ao leitor precoce ou à formação do futuro escritor. Leitor voraz, lia de bula de remédios a Daniel Defoe, passando por tantas aventuras que nem posso contar. Depois descobri Dostoievski e o Erostrato de Sartre. Quando me mudei para Vitória, em 1981, podia me considerar um leitor semiespecializado, se me permitem dizer. Eu já escrevia, e muito, mas não tinha coragem de publicar. Deixei isso para mais tarde, e minha estreia se deu em 1987, quando, entre quase dois mil escritores de todo o país, fui selecionado com o conto Sereia para participar na antologia Jovens Contos Eróticos, da Editora Brasiliense. Em 1993 publiquei Aninhanha, livro que alcançou duas edições e se tornou objeto de inúmeras análises em cursos de especialização e mestrado em Literatura. Este livro precedeu Vilarejo e outras histórias, meu maior êxito, atualmente na 5ª edição, lançado pouco depois, a exemplo de Aninhanha, na coleção A Cultura na Ufes, da Secretaria de Produção e Difusão Cultural da Ufes. A primeira edição de Vilarejo veio encartada na célebre revista Você e esgotou-se em 22 dias, um marco na Literatura do Espírito Santo. A edição encartada trazia apenas a novela Vilarejo. Os contos que compõem o livro só apareceram a partir da segunda edição. Vilarejo e outras histórias foi leitura obrigatória no vestibular da Ufes de 1995 e 1996 e ainda hoje é bastante lido em escolas de 1º e 2º graus.

 

Posto não saiba se mereça, recebi alguns prêmios. Em 1992 o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo concedeu-me o Prêmio Almeida Cousin para escritor revelação. Em 1998, com o romance inédito Menino, recebi o Prêmio de Romance Virgínia Tamanini, da Secretaria de Cultura do Espírito Santo. O romance apareceu em livro em 2000 e em 2005 saiu a 2ª edição. Nesse mesmo ano, o livro entrou para o programa de leitura da Secretaria de Educação do Espírito Santo. O enredo é baseado na infância do autor em São José do Calçado e é uma biografia de parte daquela cidade sob a lente de um imparcial menino-observador. Em 2013, Menino foi publicado no projeto Nossolivro, do Governo do Estado do Espírito Santo, com tiragem de 70.000 exemplares.

 

Estava fazendo uma pesquisa sobre a Igreja e Residência Reis Magos, em Nova Almeida, Serra, ES, quando surgiu a alentada oportunidade de escrever um livro para crianças e jovens. Foi daí que surgiu A pulga e o jesuíta, que em 2009 me alcançou o Prêmio Secult de Literatura Infantojuvenil. O livro saiu assim, premiado, em 2010.

 

Em 2011 escrevi um livro sobre o Serviço de Engajamento Comunitário, o Secri, que funciona no alto do São Benedito, em Vitória. Experiência duplamente interessante, que deu-me a oportunidade de conhecer uma comunidade extraordinária e contar sua história baseada em fontes primárias, ou seja, de transcrever a história que me contaram os simpáticos moradores do lugar.

 

Ainda em 2011 lancei outro livro infantojuvenil, A tarde dos porcos. Meu último livro é Igreja e Residência Reis Magos: obra jesuítica em Nova Almeida. Esse livro é uma incursão pela história dos jesuítas em nossas terras e de como surgiu um dos mais importantes monumentos jesuíticos do país. É o que se poderia chamar de ousadia engendrada pela paixão.

 

Em 2009, o escritor Luiz Guilherme Santos Neves e eu criamos a coleção Memória Capixaba, dedicada à preservação das coisas relativas ao nosso estado. Por causa disso me tornei videomaker e desde então fiz vários documentários, dois dos quais foram publicados dentro da coleção: Caleidoscópio do folclore capixaba (com meu grande parceiro Luiz Guilherme Santos Neves) e Parque Moscoso: um parque centenário, dvd lançado em 2012. O documentário Sabalogos foi publicado no site Tertúlia e pode ser visto aqui.

 

Em 2015 publiquei o volume de contos A última noite, um livro recheado de histórias de amor vividas pelos moradores do bairro Assunção, a noroeste da ilha de Vitória.

 

Em 2016 publiquei meu segundo livro dedicado ao leitor infantil, O tapete de Zezé, um livro sobre leitura, e de como é possível voar num tapete em companhia dos livros.

 

Pertenço à Academia Espírito-santense de Letras, à Academia Calçadense de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, mais por fazer o gosto de uns amigos que por merecimento.

 

Eis aí parte da história. O resto, dirá o tempo.

 

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